Intolerância ao glúten e a fome emocional

São 07h00min da manhã de uma quinta feira. Chego à estação de Marylebone para pegar o trem em direcao a Banbury, uma cidade na regiao de Oxfordshire. Sem tempo para tomar café da manhã em casa, chego à estação apressada. Preciso comprar o ticket, um café e algo sem glúten para comer. O trem parte às 7h33min.

O cheirinho de café fresquinho está em todos os cantos da estação e junto a ele segue de mãos dadas o cheirinho de pão quentinho, croissants, muffins, cookies vindo de diversas cafeterias espalhadas pela estação.

Meu estômago não está com fome, mas minha mente faminta sim. Ela entra em transe e meus olhos ficam paralisados diante de tantos pães,de tantos formatos,de tantos sabores.  Enquanto aprecio tudo isso ouço:- Can I have a croissant please?- Ham and cheese baguette please? Pedidos e mais pedidos vindos de diversas pessoas com estômago faminto ou com a mente, como a minha, faminta.

Entro no Marks & Spencer para comprar alguma fruta, um iogurte ou um suco, mas já estou possuída pelo desejo de comer algo quentinho como todas aquelas outras pessoas que vi na cafeteria ao lado. Penso ”-Quem sabe na Paul eu consiga encontrar pão sem glúten,fresquinho?”  É meu emocional brincando comigo. Isso acontece, muito mais do que se pode imaginar e raras vezes nos damos conta disso.

Entro e leio todas as etiquetas, em busca de de pão ou qualquer outro alimento sem glúten. Olho para o lado e vejo senhores executivos sentados nas mesinhas charmosas  devorando baguetes e croissants. Volto meu olhar para o o balcão e não encontro nada sem glúten.

Decepcionada, triste saio da cafeteria. O relógio da estação marca 07h15min. Dou meia volta e deixo minha fome emocional agir e em questão de segundos estou na fila da confeitaria pedindo uma baguete de presunto e queijo e um café mocha. “-Só hoje.” É a desculpa que me dou e sigo feliz para o trem carregando, na sacolinha de papel, um pãozinho quente com queijo derretido.

Antes mesmo de chegar ao destino, os sintomas  começam a aparecer: barriga inchada, cólicas, dor de cabeça, e somados a isso, sentimentos de culpa e de arrependimento. Naquele dia tomei muito líquido e não comi mais nada e o que parecia ser apenas um dia de deslize transformou-se em semanas de desleixo total com a minha alimentação, de consumo diário de pães e massas. Em conseqüência disso fui atropelada por uma avalanche de sintomas: desconforto, cólicas e câibras, irritação, mau humor, insônia e dor de cabeça. Tudo isso num grau muito elevado.

-Por que eu tenho insônia? -Isso é normal em outras pessoas com intolerância ou doença celíaca? E esse mau humor?  Eu buscava respostas para todas estas dúvidas nos livros, no Google, com meus amigos virtuais das comunidades do Orkut ou do Facebook, e eles me ensinaram tanto!…

Depois de postar na comunidade Viva Sem Glúten, esperei pela resposta mas ela não vinha de forma clara, exata, ou melhor, não vinha como eu queria que ela viesse, pelo contrário, ela vinha através de comentários de pessoas que respondiam com outras perguntas, outras indagações, que me faziam responder coisas que eu sabia serem verdadeiras, mas que de alguma forma eu queria ignorar, eu não queria enfrentar ou aceitar a verdade.

Mas aos poucos fui me soltando, comecei então a aceitar que as minhas atitudes e deslizes com a minha alimentação, eram resultado da falta de flexibilidade em aceitar certas verdades o que causou-me uma dor emocional que transformei em fome emocional.

A fome emocional é aquela que nos faz comer coisas por razões diferentes das razões da fome física. Na vida, temos altos e baixos, passamos por situações para as quais nem sempre estamos preparados e nessas horas precisamos ter serenidade, aceitação para que nossos atos, impulsos não nos prejudiquem ainda mais.

Antes de ser diagnosticada com intolerância ao glúten, os pães e massas eram vistos por mim como comfort food e ao comer aquela baguette de presunto e queijo eu estava tentando preencher um vazio, curar a dor de ter interrompida uma gravidez tão planejada, tão desejada. Aliviar o  cansaço causado pelo acúmulo de trabalho, e da falta de férias. Uma soma de stresses internos e externos. Aquela fome não veio do estômago, veio do meu psíquico, do meu coração dolorido, da minha mente triste.

A insônia, irritação e o mau humor não eram  resultado somente dos sintomas da ingestão de glúten, afinal nao era a primeira vez que eu tinha tido uma recaída no glúten era a soma disso e de uma frustração, de um grito que estava preso dentro de mim, a dor não somente das cólicas pela ingestão do glúten, mas a dor pela perda de um ser que carreguei e que  nunca consegui ver.

Para a minha fome emocional, o biscoito sem gluten esfarelento ou a pizza sem glúten  e com um sabor diferente da pizza normal não me traziam o comforto que eu precisava. A minha fome emocional  ainda não entendeu que a minha dieta sem glúten não é momentânea, mas  uma dieta para a vida, uma dieta de aceitação e adaptação àquilo que a vida me oferece, de bom ou de ruim.

34 Responses to “Intolerância ao glúten e a fome emocional”

  1. vc é guerreira :) Says:

    entendo mto vc!

    todos temos algo que precisamos “carregar”.
    o mais fácil é reclamar, por culpa nos outros ou se vitimizar.

    é tão, tão difícil respirar fundo, olhar a situação e tentar ser mais forte que ela…
    mas acho que é a melhor escolha que podemos fazer para nós.

    “amar” é aceitar. tão clichê… mas nesse caso se aplica perfeitamente: se a gente ama quem a gente é, e o que a vida nos impõe, acabamos aceitando a situação e dando um passo pra frente.

    amar um fato ruim e triste? é aceitar que ele aconteceu e que não poderemos mudá-lo. teremos que conviver com as marcas que ele deixa na gente, e é nossa escolha fazer com que essas marcas se tornem “amigáveis” e suportáveis.

    então toda a energia e pensamento de “por que eu?”, “por que comigo”, “eu mereço isso?” se tranforma em energia para criar coisas novas, novas formas de superar a dificuldade, novas comidinhas exclusivas, uma nova forma de se distrair, um novo sonho…

    é difíciil, e essa mudança só acontece pra nós, em nós.
    ninguém vai bater palmas pra vc qd vc estiver na estação escolhendo o seu iogurte, mesmo louca de vontade de comer o croissant! mas vc pode se orgulhar de si mesma e respirar pensando que fez a escolha certa pra si.
    e que não ter mais dores, cólicas e desconfortos será um presente pra vc mesma, pra poder seguir aproveitando as surpresas boas que o dia vai te devolver. :)

    e amar os deslizes também vale! que bom saber que vc não é perfeita.
    não pode se culpar. eles vão servir como exemplos pras próximas “vontades sem controle” que aparecerem e vc vai lembrar e pensar mais de 3x antes de repeti-los.

    fique bem! só de ter consciência dessa fome emocional que você nos conta (e com a qual nos identificamos muito, todos têm, cada um sacia a sua de um jeito), você já está fazendo ela menor.

    beijos!

  2. Camila Says:

    Ei Leila, bastou uma visita para eu ficar fã de você e do seu Blog. Descobri recentemente que tenho intolerância ao glúten, e minha vida está começando a mudar para melhor mas estou começando a viver esse dilema de procurar loucamente o que não tem glúten para eu comer… Bom mas quis comentar seu post por outro motivo. Hà + – 6 anos iniciei uma reeducação alimentar que me fez pesar aos 30 anos o que eu pesava aos 16 anos. Amo estar magra e sempre tive total controle sobre meus desejos, minha fome e quantidade de comida que eu comia… Até que perdi meu bebê… E só assim entendi a força disso… Eu não via a hora de comer, e eu pensava:Vou comer MUITO, até não aguentar! E a fome me doía… A melhor hora do dia era a hora de comer. Justamente pra preencher o vazio que me ficou… Simbolicamente é a única maneira de colocarmos alguma coisa pra dentro de nós, não é? Uma coisa que temos certeza que será só nossa…
    Assim consegui entender porque algumas pessoas que conheço melhor estão fora do peso, e todas elas em alguma lacuna da vida sentem falta de alguém…
    Hoje eu já estou no meu peso normal, quando percebi no que eu poderia me transformar eu parei de comer tão compulsivamente e a dieta sem o glúten já me trouxe muitos benefícios, e assim acho mais fácil continuar… é muito difícil mesmo, mas só o fato de você ter conseguido identificar a fome emocional, já vai fazer você superar…
    Força pra gente…
    Beijo
    Camila

  3. Leila Says:

    Voce e guerreira e Camila! ja respondi a voces atraves de email mas registro aqui novamente o meu obrigado pelas palavras.

  4. Alice Gonçalves Ramalho Says:

    Oi Leila, tenho te acompanhado já há algum tempo, vendo tuas receitas deliciosas. Não sei há quanto tempo voce tem intolerância ao glúten, mas posso imaginar o quanto é difícil resistir ao encantos e sabores do glúten. Comercializo tortas e salgados e neste momento da minha vida está sendo mais complicado,descobri há dois anos que tenho hepatite auto imune e faço tratamento com corticóide e imunosupressor e provavelmente teria que tomar pro resto da vida.Na busca por uma cura ou melhora na minha qualidade de vida, descobri que a dieta sem glúten pode me levar a retirada do remédio e a não progressão da doença, o que é maravilhoso.Estou sendo acompanhada por uma nutricionista que trabalha com estes casos de doenças auto imunes. Enfim estou há um mês e meio sem o glúten e não está sendo fácil, ainda que tenho que preparar encomendas,comercializo tortas e salgados e nem posso experimentar. Já fiz algumas receitas de bolos que normalmene dão muito certo e ficam saborosos, quanto aos pães está mais difícil, ainda não acertei uma receita bacana.Neste momento estou preparando o pão de milho que voces postou, espero que dê certo.A minha saga continua. Tenho uma receita maravilhosa de Bolo Húngaro que encontrei na blog a cozinha coletiva, que só vai chocolate em pó, claro que sem glúten. Vale muito apena fazê-lo. Coragem sempre, continue nos postando estas maravilhas que voce faz.Sempre que testar alguma receita e der certo com certeza te mandarei.
    Segue a receita.
    Bolo Húngaro
    Ingredientes:
    200g de manteiga [usei manteiga caseira, nada de margarina];
    150g de chocolate em pó peneirado [usei 50% cacau];
    180g de açúcar refinado;
    3 ovos;
    2 gemas.

    Preparo:
    Derreta a manteiga com o chocolate em pó, em banho-maria [fiz em fogo baixo, sem banho-maria]. Retire do fogo e junte o açúcar, os ovos e as outras gemas. Leve em fogo baixo, mexendo sempre, por uns 5 minutos, até engrossar ligeiramente.
    Despeje em uma fôrma de buraco no meio de 18cm de diâmetro untada [sugiro enfarinhar também], e asse em forno preaquecido a 180 graus por 50 minutos, até ficar firme, mas ainda cremoso.
    Espere esfriar completamente e desenforme.

  5. Carla Barbosa Says:

    Querida Leila,

    sinto muito pelos momentos difíceis que tu tens passado. Quando descobri que era celíaca entrei em depressão. Sei que muitas vezes não é fácil seguir essa dieta (ainda mais quando passamos por momentos ruins – no teu caso, bem ruim)ainda mais quando envolve outras questões. Mas cuida de ti!

    Beijos

  6. Silvia Says:

    Já tenho vindo aqui outras vezes visitar o blog sem nunca o comentar mas desta vez tem que ser! Não só para enviar um carinho e um abraço apertado mas principalmente para agradecer por este texto lindo que se pode adaptar a qualquer situação e a qualquer pessoa. Muito bonito, clean e honesto. Achei lindo de verdade e acho que é esta abertura de coração que nos aproxima uns dos outros de forma nunca antes vista. Um grande beijo de portugal

  7. Suzana Says:

    Esse post caiu como uma luva. Achei que era a única a me sentir culpada pelas recaídas…E tinha vergonha de assumir isso! Sempre penso em vão: “será que não sarei?”…Pergunta retórica que meu cérebro insiste em fazer!
    Obrigada!
    bjos

  8. Susana Says:

    Essa fome emocional de que fala, é a fome que eu sinto quando olho para a minha filha, e penso nas privações que terá ao longo da sua vida. Como tem 6 anos, ainda consigo poupá-la a essa dor, evitando cafés, restaurantes, ou se vou beber café não como bolo mesmo que me apeteça. Sei que estou a agir de forma errada, pois não vou conseguir esconder-lhe o mundo real por toda a sua vida…

  9. Ariane Says:

    Leila,
    Como disse uma outra leitora, uma única visita e adorei o seu blog. Já estou sem glúten há quase dois anos e te garanto que “Há vida após o glúten”.
    Consigo me conter para não comer pães e outros alimentos feitos com trigo e aveia (que chamo de glúten de primeira linha), mas confesso que às vezes não resisto aos chocolates. Só que por experiência própria, basta uma barrinha e já sinto os efeitos, como você descreveu.
    Eu sou celíaca e realmente não posso transgredir as regras. Já caí na bobagem de provar o macarrão que estava preparando para minha filha e acabei com diarréia.
    Fui diagnósticada em fevereiro de 2010, depois de um mês com diarréia crônica, pesando 44 quilos para 1,63cm.
    Mas a dieta mudou a minha vida. Depois das minhas filhas, foi a melhor coisa que já aconteceu comigo.
    Hoje vivo muito bem e tento abstrair as privações.
    Fiquei feliz de ver que existe alguém por aí que tb pensa que comida sem glúten não é sinônimo de comida ruim.
    Adorei as suas dicas que me deixaram de água na boca.
    Voltarei outras vezes.
    Prazer,
    Ariane

  10. Sandra Says:

    Olá,

    Obrigada, descobri a palavra “Fome emocional”…
    Tenho 35 anos, sou celíaca desde Maio de 2009 e estou com muitas dificuldades em me adaptar. Mas nem é pelas recaídas, desde que me foi diagnosticada a doença nunca mais ingeri glúten pelo menos que eu saiba. Como sei que faz mal, não ingiro no entanto anda sempre a pensar na comida, mas não por ter fome é mesmo a dita “fome emocional”. Passado uns meses de me ter sido diagnosticada a doença engordei…porque comia muito e fartei-me de comer “farinha maizena com leite – tipo papa” só pensava nisso, depois foram as tostas de milho com chocolate… Falei com o médico ele receitou-me um antidepressivo e aclamei bastante até cheguei ao meu peso ideal. No entanto, a uns meses atrás voltei a “fome emocional” sempre a pensar na comida…vingo-me a fazer crepes e sabem com quê? Com manteiga. Adoro manteiga…e agora só penso nisto.
    Em Maio faço 3 anos…será que nunca mais vou ser normal? Eu muitas vezes dou por mim a olhar para os meus colegas a comerem o seu pãozinho no lanche. Quando compro coisas para mim sem glúten, tipo pão ou bolachas, enquanto não chegam ao fim não descanso…duram muito pouco.
    Obrigada por me “ouvirem”,
    Bjs
    Sandra Soares

  11. FRANCIANE FRONZA Says:

    OI LEILA!!! VOCÊ NÃO ME CONHECE, MAS ADORO VISITAR SEU BLOG. GOSTO PRINCIPALMENTE DAS FOTOS QUE VOCÊ COLOCA NAS RECEITAS, E CLARO, GOSTO DAS RECEITAS TAMBÉM. FUI DIAGNOSTICADA COMO DOENTE CELÍACA HÁ 3 ANOS. CONFESSO QUE POR MUITAS VEZES AINDA ME SINTO EXATAMENTE COMO VOCÊ. NÃO É FÁCIL ACEITAR QUE SOMOS DIFERENTES. O CÍRCULO DE AMIZADES E AS PRÓPRIAS ATIVIDADES FEITAS COM OS AMIGOS MUDAM. É NECESSÁRIO ADAPTAR-SE À UMA REALIDADE QUE AINDA TEMOS QUE CRIAR. ENTENDO COMPLETAMENTE SEU SENTIMENTO DE IMPOTÊNCIA E INSATISFAÇÃO. O QUE ME ALEGRA É CONHECER PESSOAS COMO VOCÊ, QUE COM PALAVRAS TÃO REAIS E SINGELAS CONSEGUEM EXPRESSAR O QUE SENTIMOS. ADORARIA PODER CONVERSAR COM VOCÊ E DIVIDIR NOSSAS EXPERIÊNCIAS. QUEM SABE UM DIA,NÉ? BEIJOS!
    FRANCIANE FRONZA.

  12. Liane Says:

    Ola Leila!

    Meu nome e Liane, tenho 30 anos e fui diagnosticada celiaca a uns 7 anos atras. Moro na China desde 2007, mes passado tambem tive minha gravidez de 4 semanas interrompida.Os medicos me disseram que o que aconteceu foi muito normal, que eu nao precisava me preocupar , mesmo assim me senti bastante mexida emocionalmente e com certeza afetou na minha alimentacao.
    Adorei a materia que tu escreveu pois me identifiquei bastante.
    Queria muito controlar essa fome emocional! Continuarei tentando!
    Grande abraco!
    Te admiro muito pela iniciativa do Blog, as materias sao otimas!

  13. Sabrina Says:

    Puxa Leila…
    Sempre visito este espaço tão especial que vc vem construindo com tanta dedicação (aqui vc faz limonada com os limões…como de vez em quando comentamos lá na comunidade Viva sem Glúten) .
    São imagens lindas e receitas apetitosas que mostram um ângulo positivo da relação com a alimentação, tão comprometida entre pessoas com limitações alimentares.
    Desta vez, li o texto e não pude conter as lágrimas… Fiquei imaginando todo esse universo tão bem descrito por vc, fiquei imaginando minha filha diante desses conflitos, quando ela crescer…
    Quero registrar meu carinho e gratidão por permitir através dessa exposição pessoal tão dolorosa, uma reflexão tão humana! Parabéns por conseguir sublimar esse “tropeço” de forma tão construtiva…fazendo nos refletir criticamente sobre as nossas “fomes emocionais”.
    Tenho certeza que esse texto pode ajudar muitas pessoas, assim peço a gentileza de me autorizar a mostrá-los aos meus pacientes na clínica de psicologia… Posso?

  14. Tathyana Says:

    Leila,
    Acabei de achar seu blog em uma busca no Google por “alimentos sem Gluten”. Normalmente sou quieta, não posto nada, não comento nada. Mas eu precisava vir aqui e dizer: Obrigada. Obrigada por me mostrar que não sou a única, que é difícil mesmo, mas que a gente tem que dar um jeito de ser feliz. Eu não sou celíaca. Minha médica obstetra foi quem me sugeriu a redução de glúten porque tenho a síndrome de ovários policísticos, que normalmente é associada a resistência à insulina. Ela disse que preciso fazer exercícios físicos e melhorar minha alimentação. E eis que no meio do seu texto, vejo você falando da perda de um bebê tão esperado. Eu passei por isso há 1 mês. Foi por isso que tive consulta com a médica hoje. Às vezes acho que essa tristeza nunca vai passar e que ninguém mais me entende. Parece que todo mundo acha que já era pra eu estar feliz, pois a vida continua. E você sabe que, para quem estava carregando o bebê na barriga, é bem mais complicado. Mas a gente consegue! Vou seguir seu blog para aprender a como viver com menos glúten, vou fazer exercícios, e, tomara, assim terei meu bebê em breve! Boa sorte para nós! Força! E mais uma vez, obrigada.

  15. Paula da Hora Says:

    Olá Leila,

    Lendo seu relado, me preparo para as ‘fomes emocionais’ que meu filho terá/tem. A terapeuta já me advertiu de que em algum momento isso (as recaídas) pode acontecer – ha 1 ano e meio diagnosticado como celíaco, ele segue a risca a dieta, mas sinto que ele se sente muitas vezes como você se descreveu – com fome emocional. Força!! Beijos

  16. Janaina Says:

    Olá Leila. Parabéns pelo texto e obrigada por compartilhar essa história. Mesmo pessoas que não tem a limitação do glúten enfrentam essas fomes emocionais e as desagradáveis consequências de sucumbir a ela. Atualmente moro nos EUA e tudo aqui parece chamar para o consumo, especialmente comida. Adoro o seu blog por mostrar que é possível viver uma vida deliciosa apesar das limitações!

  17. Eu Mulher Says:

    Leila, adorei seu comentário lá no Eu Mulher! Fiquei feliz que você tenha gostado do meu creme de abóbora.
    Não sei o que é ficar sem comer um pãozinho, mas sei o que é ter gravidez interrompida bruscamente. Passei por uma gravidez ectópica no último dezembro, e sei o que é comer pela emoção.

    Espero que agora você esteja bem. Eu, graças a Deus, já estou ótima.

    Beijão

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